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Campus promove campanha de combate ao racismo

Realizada de maio a setembro, iniciativa do NEABI local levantou junto à comunidade o debate também sobre a valorização da estética e beleza negra
  • Assessoria de Comunicação
  • publicado 13/09/2018 12h14
  • última modificação 14/09/2018 10h23

“O tema do empoderamento negro está sempre em pauta”, afirmou Patrícia Durans Cardoso, professora de Língua Portuguesa, referindo-se às diversas iniciativa s que continuamente buscam promover a educação para as relações étnico-raciais no campus do IFMA em Santa Inês. Ela e a também docente Tayane da Cruz Trajano (Artes) coordenaram o projeto de extensão “Campanha de Combate ao Racismo e Valorização da Estética e Beleza Negra”, que encerrou a segunda etapa em 12 de setembro (quarta-feira) com exposição temática. Desde maio, o projeto vem mobilizando tanto o corpo discente e servidores do Instituto quanto a comunidade em geral.

Projeto propôs trabalho pedagógico para valorizar a cultura e estética dos jovens negros em Santa Inês

Realizada pelo Núcleo de Estudos Afro-brasileiros e Indígenas (NEABI local), a campanha chegou em 2018 à terceira edição, com o tema “130 anos da Abolição, Afrodescendência e Sororidade”. A proposta principal do projeto de extensão foi realizar um trabalho pedagógico de valorização da cultura e da estética dos jovens negros da cidade de Santa Inês, junto aos alunos do IFMA e das comunidades próximas ao campus.

De acordo com informações do Campus Santa Inês, a campanha abordou temas em sintonia com diversos movimentos sociais brasileiros da atualidade. Voltando-se para a ressignificação do Dia Nacional de Combate ao Racismo (13 de maio) por meio de atividades de reflexão e positivação da imagem do negro na sociedade brasileira, o projeto questionou se os 130 anos da abolição da escravatura, oficializada em 1888, de fato representaram liberdade e cidadania para o povo negro recém-liberto. Trabalhou-se ainda o tema da “Década Internacional de Afrodescendentes”, decretada pela Organização das Nações Unidas (ONU) para o período de 2015 a 2024.

Outra discussão relevante envolveu o conceito de sororidade, que significa a união entre as mulheres de forma a promover o empoderamento feminino negro e dialogar com os diversos movimentos que tratam sobre o tema. Mesas redondas, palestras, exibição de filmes, manifestações artísticas são alguns dos eventos que marcaram a programação da primeira etapa de realização da campanha.

Segunda etapa

Dentre as atividades da segunda etapa do projeto, programou-se para 10 de agosto intervenções de grafitagem envolvendo o Campus Santa Inês e uma sessão de fotos. O objetivo foi promover e valorizar a beleza negra junto às alunas assim autodeclaradas. Para as oficinas, utilizaram-se como “telas para arte” os pontos de ônibus situados em frente ao instituto. O resultado das intervenções artísticas, que hoje se encontram em exposição para a comunidade, foi usado como cenário para ensaios fotográficos individuais e coletivos, enfatizando a sororidade entre as mulheres negras e dialogando com vários movimentos que defendem esse conceito pelo mundo.

Participaram e colaboraram com a atividade os artistas e professores Nay (Nayara Moraes), militante feminista e grafiteira, e ALOL (André Luis Oliveira Lima), tatuador e importante grafiteiro da cena maranhense. Ambos são de São Luís e estudantes do próprio campus. “Meus dias no IFMA de Santa Inês foram intensos, calorosos e de muito aprendizado mútuo. Alunos atentos, curiosos e ávidos por conhecimento, por vivência. Ao longo da oficina, observei a vontade deles em progredir não só nos riscos, no graffiti, mas na vida”, disse Nay Moraes, destacando que os participantes observavam atentamente cada traço feito e acompanharam os grafiteiros na construção do painel. Ela ressaltou que houve em todos os momentos a troca de experiências com os alunos, alinhando a prática e a conversa entre o grupo.

Nay Moraes informou que o trabalho engajou três turmas, sendo perceptível que, embora todos tivessem gostos particulares e aptidões específicas, estavam sempre dispostos a abrir os horizontes. Ela manifestou o reconhecimento ao NEABI por ter-lhe proporcionado, enquanto militante e grafiteira, a rica troca de experiência com os alunos que participaram da intervenção. Os efeitos da campanha já podem ser sentidos, como revela o depoimento de Alicy Teixeira, aluna do curso Técnico de Logística. “Eu já tinha participado ano passado e em cada ano eu percebo que não é só a arte que evolui, mas as pessoas também. Este ano pude participar mais autêntica do que nunca, mais feliz comigo mesma do que antes. É gratificante!” Alicy Teixeira integra o Núcleo de Estudos e foi voluntária na seção de fotos.

Para Juliana Protacio, fotógrafa do projeto, foi possível também observar que, em comparação aos anos anteriores, as alunas voluntárias notoriamente evoluíram em relação à aceitação da própria beleza, em seus mais individuais aspectos. Ela destacou que as discentes se apresentaram com os cabelos naturais, além de muito mais seguras e empoderadas.

Segundo a coordenadora Patrícia Cardoso, as questões em debate durante a campanha voltarão a ser abordadas na Semana da Consciência Negra do Campus Santa Inês, em novembro, quando será trabalhada temática a ser definida pelo NEABI Central. Até lá, o Núcleo local desenvolverá atividades internas, projetos de pesquisa, sessões de estudos e participações em eventos.

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